Bruno, chama-se Bruno o primo do Mário João que era giro como o caraças, o primo não Mário João que até nem era de deitar fora e que agora não tem piada nenhuma e usa uma barba que valha-me deus, o Mário João que do primo faz anos que não sei nada dele mas que na altura era mesmo muito giro, tinha assim um ar de Billy Idol mas em moreno mas do que eu gostava mesmo era da Maddona que até tinha um poster dela numa gôndola do vídeo do Like a Virgin e que eu punha a tocar no Walkman que o meu pai me tinha trazido dos Estados Unidos, a musica não vídeo claro, e me punha assim na cama a imitar a coreografia e uma vez a minha mãe entrou e disse "qué que tás a fazer?" e eu atrapalhado disse que tava a treinar pa entrar no judo que era dado pelo irmão da mãe do Mário João que também era bom como o milho, e vai ela responde-me "ái não vais não que aquilo é tudo uma cambada de vândalos e eu não te quero misturado com aquela gente" mal sabia ela. Também gostava da Samanta Fox mas era doutra maneira e do Billy Idol e ficava a sonhar com aqueles atributos, dos dois que eu cá nunca fui esquisito, e era por isso que eu gostava do Bruno, por ele ser parecido com o Billy Idol e por fumar cigarros com filtro que a malta só tinha dinheiro para Mata Ratos, foi também com ele que bebi a minha primeira cerveja uma noite atrás do deposito quando andávamos todos a jogar ao jogo de esconder e fui com ele que ele sabia dum sitio que ninguém nos encontrava e ganhávamos aquela mérda de certeza, dei dois ou três golos e fiquei logo com a cabeça a andar à roda, lembro-me vagamente de estar-mos os dois sem roupa e pouco mais. No outro dia doía-me era um pouco a cabeça e depois andei anos sem beber cerveja porque me fazia doer o cú, o Bruno dizia-me sempre que éramos os melhores amigos mas depois começou a andar mais com o Vasco que gostava de cerveja. Foi por essa altura que comecei a ser mesmo mais amigo do Zé Carlos que às vezes se vestia com os vestidos da irmã e jogava-mos aos Jogos sem Fronteiras no quintal dele que tinha um tanque mas só se nos despíssemos todos que assim era mais engraçado dizia ele, eu nunca percebi porquê mas fazia-lhe a vontade ele era sempre da França e eu outro pais qualquer e ele ganhava sempre e quem perdia tinha de dar a taça a quem ganhava, como quem perdia era sempre eu e não tinha como é obvio taça nenhuma tinha de o deixar bater-me uma, é claro que eu fazia sempre pa perder e ele até se esganava para ganhar e um dia a irmã dele apanhou-nos e obrigou-o que a partir desse dia convida-se sempre o Nuno Cigano para brincar connosco, mas ele nunca brincava ia sempre pra dentro de casa com a Rosa, que é como se chamava a irmã do Zé Carlos que por acaso casou com o Nuno Cigano, o Rosa está claro, e já ia grávida de uns poucos de meses e depois disse o puto que nasceu com quase 4 quilos era prematuro e assim lá continuamos a jogar aos Jogos Sem Fronteiras prái mas umas semanas até o Bruno se ter chateado com o Vasco e querer brincar comigo outra vez e o Zé Carlos convidar o Vasco lá pra casa e um dia fomos os quatro para a eira por trás da Casa do Povo que ligava com as traseiras da oficina do pai do Mendes e onde ele tinha um monte de pneus velhos e fizemos uma cabana com os pneus e umas chapas de lusalite e plásticos que fomos roubar ao lagar do avô do Tchico que tinha uma prima chamada Cristina que tinha um par de mamas que lhe chegavam quase ao umbigo, do Tchico não da prima, que ele era e ainda é cá uma torre que até parece que a mãe lhe punha Foscámonio no leite e que tava sempre no lagar porque o avô deles deixava o pai e mãe dela viverem lá porque estava desempregado e era um bêbado, o pai dela não o avô, o avô também era bêbado mas tinha o lagar e isso dava dinheiro e ela é que nos disse onde é que podíamos roubar os plásticos se lhe mostra-se-mos os pintos e ela engraçou com o do Bruno e até lhe bateu uma só por graça com a gente a ver e tudo e depois ela diz que se a gente quisesse mais para lá ir à noite mas eu não fui que tive medo do pai dela o Vasco não gostava dessas coisas e o Zé Carlos não gostava de gajas que eram todas porcas e cheiravam a bacalhau e depois viemos a saber que ele andava era a fazer o jogo do "Chupa-chupa" com o Bruno ou melhor a fazer ao Bruno lá na cabana dos pneus do pai do Mendes que nos disse que eles ião lá os dois todos dias antes de irmos para o ringue jogar às escondidas e foi assim que soubemos, eu e o Vasco e um dia escondemo-nos e apanhamo-los naquilo e vai o Vasco começa logo "agora é a minha vez senão vou dizer ao teu pai" e o Zé Carlos lá teve de lhe dar a vez, e fiquei eu e o Bruno sentados nos pneus com aquele dois de boca cheia a divertirem-se às nossas custas. Depois fomos para o ringue e foi a primeira vez que dei um beijo ao Bruno com língua porque era ele a amochar e encontrou-me dentro do bidom ao pé do bar das festas, quem me ensinou foi a Raquel que não usava cuecas porque era alérgica aos elásticos e deixava sempre por o dedo. Dizem, que a mim ela nunca deixou. Infelizmente.
11 de julho de 2008
10 de julho de 2008
Pan ó chocolá
O melhor do Verão quando não ia para casa da minha avó eram os imigrantes, vinham aos magotes em Reaults Super 5 e Fiats Ritmo alugados com as "cofres" recheadas de caramelos de fruta comprados na fronteira espanhola e de "pans ó chocolá" ressequidos de 3 dias de viagem desde o bairro da lata nos arredores de Paris onde limpavam a merda das famílias suburbanas e depois vinham pra cá com o cú cheio de francos e com a mania que só sabiam falar francês e que já não se lembravam de como é que dizia jambom e fromage e a voiture que vinha na auto route e que não parou no feu rouge e o caralho. Desses todos o mais engraçado era o Nunô, um reles raquítico que tinha um cão chamado Tômí eternamente com o cio e que se roçava sempre nas nossas pernas, o cão não o Nunô que esse se tentasse levava logo uma lambada e que estava sempre "Tômí viem lá mom petit" e que o porco do cão ignorava até ele se sair com "anda cão dum cabrão". Tinha uma irmã que na altura era podre de boa e dava para todos nas traseiras das escolas à noite quando a malta ia fumar os kentuckys às escondidas e um dia foi apanhada com o Germano que era um gajo já mais velho e burro que nem uma porta blindada e que no Verão queria sempre que a malta o tratasse por Germany o que ninguém fazia e o gajo ficava tão danado que andava atrás de nos para nos dar caroladas e até ficava com as orelhas encarnadas, o Germano era e é louro, a malta chamava-lhe Russo e foi uma carga de trabalhos conseguir que ele nos mostrasse se lá em baixo também era louro ou não, e era mas pouco, não no louro mas na quantidade que até parecia que tinha feito a depilação ás bolas e pôs a malta toda a rir até que ele danado amandou uma arrochada no Moi e calamo-nos logo todos que o gajo alem de grande tinha força como um comboio descarrilado, porque pensava que a malta se tava a rir do tamanho que por acaso até era proporcional e era de uma cor assim tipo pó cor de rosa leitão. O Nunô tinha uns legos bestiais que o Vasco assim como quem não quer a coisa a pouco e pouco dia a dia peça a peça rapinou todo e depois disse que foi o pai que lho troce da arábia onde era pedreiro e dizia que fazia palácios e que lhe deu uma carga de porrada e obrigou a devolver o lego todo, eu ia lá pra casa dele brincar, do Nunô não do Vasco, também ia pra casa do Vasco mas a mãe dele era uma chata do caraças que nos obrigava a descalçar as Sanjo à entrada da porta das traseiras e só podíamos andar por cima das passadeiras de plástico e só nos dava pão com Tulicreme de um lado para o lanche e sumo de laranja daquele em pó que nem era Tang nem nada, em caso do Nunô havia sempre "pans ó chocolá" e Caprisones que a mãe dele punha numa geleira azul para a gente levar para o quintal onde estava sempre sentado o avô dele que tinha tido uma trombose e esteve assim meio aparvalhado uma dúzia de anos até morrer e um dia fizemos uma torre a terminar tipo em fisga com os legos até à cintura do velho e o Joel tirou o coiso pra fora e pôs ali a descansar, o do velho não o do Joel, e o Nunô foi a correr pra dentro de casa aos gritos que lhe tínhamos estragado o lego e a mãe dele nunca mais nos deu "pans ó chocolá" e o parvo só dizia que "porra pá era pó velho apanhar ar pá" e que parecia uma tripa de porco, o coiso do velho não o Joel, que depois foi de férias para São