Apetece-me voltar aqui depois de tanto tempo.
De facto necessito da escrita como quem "precisa de pão para a boca" e ainda tenho tanto para vos contar, como daquela vez em que...
Até já.
23 de abril de 2015
22 de outubro de 2009
Jenseits von Eden
Com o cair das folhas, as primeiras chuvas e a chegada do frio cortante chegaram também vindos de Düsseldorf onde tinham ido passar o verão o meu tio Joseph, a minha tia e o meu primo Carlos. Com eles vinham atrelados duas aves raras de seus nomes Steffen, alto, loiro e tipicamente alemão dos pés à cabeça, e Birgit, gorda, atarracada e com um aparelho medonho por toda a boca e os pais destas duas almas Jürgen e Monika. A família do meu tio vinha de visita.
A Cremilde, a Isilda e a minha avó entraram em histeria colectiva. Logo agora com a colheita do feijão atrasada e o semear das favas já em andamento, sem falar que ainda não se tinha desfolhado o milho e que tudo o mais naquela quinta andava um pouco fora da graça de Deus. Mas as coisas lá se arrajararam. Quartos partilhados, que "os piquenos podem muito bem ficar num quarto só, faz-se tipo camarata e está resolvido." e a porca da alemã a ter de dormir no quarto da Cremilde e esta com a Isilda. Tudo lá se acomodou graças ao esforço hercúleo da Isilda que qual Führer impôs a sua vontade na organização daquele casarão cheio de gente, que mais parecia a Babilónia. Ás refeições falava-se português, francês, inglês, alemão, espanholês, e mais uma série de dialectos que misturavam todas as línguas a ver se alguém se fazia entender.
Na segunda noite o meu primo Carlos resolveu que já não queria dormir na "camarata", que o Steffen ressonava, e ele tinha o sono leve e não dormia nada e por favor que o deixassem dormir no sofá da biblioteca que sempre tinha algo com que se entreter com tantos livros à disposição. Assim foi, a Isilda montou um divã desdobrável e a partir dai o menino dormiu na companhia dos livros. Livros esses que sua excelência nunca tinha sequer tirado das estantes quanto mais folhe-a-los ou sequer aventurar-se a lê-los. Mas numa noite em que desci à cozinha descobri que o que o entretinha não eram os livros mas sim a porca. Fiquei horrorizado, como é que o meu primo, que tinha herdado uma mistura de genes tão bem programada que lhe tinha dado aquele ar de rapaz do campo, pele trigada, cabelo quase loiro e olhos azuis, se podia embeiçar por aquela coisa? Ainda pra mais que "primo com primo, nascem filhos carecas"! Mas gostos não não se discutem e se ele gostava, que era eu para dizer que não.
Fiquei então no quarto só eu e o Steffen. Um horror. Para alem de não abrir a boca, passava o tempo todo de volta do walkman a ouvir sempre a mesma cassete e a gemer em alemão. A única coisa que se aproveitava mesmo era a hora de dormir, a hora de vestir o pijama, e de pelo canto do olho apreciar aquele belo físico ariano. O certo é que ele não era parvo e percebeu que eu o espreitava, tal como eu percebi que isso não o incomodava minimamente, pelo contrario. Com o passar dos dias parecia que o acto de despir e vestir se estava a tornar um ritual com tempos de exposição e olhares cruzados bem definidos. Pouco a pouco a curiosidade levou a melhor, e sem uma única palavra, frente a frente como que se vê num espelho examina-mo-nos a nosso bel prazer. Vendo, espreitando, observando, mexendo, apalpando, acariciando e tocando à vez no corpo estranho e no entanto já tão familiar a nossa frente.
E como uma coisa leva a outra, o inevitável aconteceu. Depois de uma noite de desfolhada por entre viras e cantigas, muita alegria e milho rei. Depois da ceia e do recolher das gentes, ficou a eira reduzida a meia dúzia de gatos maltêzes. Eu, o Steffen, o António e mais três marialvas amigos deste. Por entre sussurros e combinações lá se foram os quatro mais um garrafão de vinho para o barracão da lenha segundo eles "jogar a lerpa" embora nenhum tivesse um baralho de cartas. Sei que tive pena de não ir com eles mas nessa noite a curiosidade espicaçava-me a ir derrubar o muro de Berlim.
Já no quarto, e de pijama vestido, enquanto ele tinha ido a casa de banho dispus-me a ouvir o que raio de música era aquela que ele tanto gostava. Chamava-se "Ton Steine Scherben" e apesar de não ser mau de todo não foi de encontro aos meus gostos musicais da altura. Apesar disso deitei-me na cama absorto naquele som e quando dei por isso ele estava junto a mim de calças do pijama pelos tornozelos "Sie mögen es? Sie möchten es saugen? Gekommen alles Ihr, wenn Sie es wünschen" sem perceber uma palavra percebi perfeitamente a intenção e foi esse o pretexto para o inicio das festividades daquilo a se viria chamar "Trommeln in der Nacht " numa homenagem ao dramaturgo por nós idolatrado. Foi com Steffen que li o Baal e foi ele que me explicou coisas em Brecht que eu sozinho nunca teria conseguido perceber. Foi a minha primeira púbis loira e o meu primeiro circuncisado.
A principio a não existência de prepurcio excitou-me de tal maneira que, pegando-lhe com ambas as mãos o revirava para que de todos os ângulos pudesse ver, pudesse sentir melhor aquela glande "descamizada". No final tirando a excitação da novidade, revelou-se um amante medíocre e frio. Tão frio como o vento dos meados de Outubro.
Despedi-mo-nos num beijo molhado numa cinzenta manhã de domingo, eu voltava para casa dos meus pais e ele dai a poucos dias a Düsseldorf. Ofereceu-me a cassete dos "Ton Steine Scherben" e lá fomos cada um na sua direcção, eu para o autocarro, para as castanhas e para o Chicha e ele para a casa da minha avó.
Nunca mais nos vimos. Infelizmente. Para ele que o Chicha também não gostou da musica. Mas assou castanhas e depois de dois copos de jeropiga bem enroladinhos junto a salamandra contei-lhe do "descamisado" e da raça ariana.
Até hoje estou para saber o que aconteceu a tal cassete.
A Cremilde, a Isilda e a minha avó entraram em histeria colectiva. Logo agora com a colheita do feijão atrasada e o semear das favas já em andamento, sem falar que ainda não se tinha desfolhado o milho e que tudo o mais naquela quinta andava um pouco fora da graça de Deus. Mas as coisas lá se arrajararam. Quartos partilhados, que "os piquenos podem muito bem ficar num quarto só, faz-se tipo camarata e está resolvido." e a porca da alemã a ter de dormir no quarto da Cremilde e esta com a Isilda. Tudo lá se acomodou graças ao esforço hercúleo da Isilda que qual Führer impôs a sua vontade na organização daquele casarão cheio de gente, que mais parecia a Babilónia. Ás refeições falava-se português, francês, inglês, alemão, espanholês, e mais uma série de dialectos que misturavam todas as línguas a ver se alguém se fazia entender.
Na segunda noite o meu primo Carlos resolveu que já não queria dormir na "camarata", que o Steffen ressonava, e ele tinha o sono leve e não dormia nada e por favor que o deixassem dormir no sofá da biblioteca que sempre tinha algo com que se entreter com tantos livros à disposição. Assim foi, a Isilda montou um divã desdobrável e a partir dai o menino dormiu na companhia dos livros. Livros esses que sua excelência nunca tinha sequer tirado das estantes quanto mais folhe-a-los ou sequer aventurar-se a lê-los. Mas numa noite em que desci à cozinha descobri que o que o entretinha não eram os livros mas sim a porca. Fiquei horrorizado, como é que o meu primo, que tinha herdado uma mistura de genes tão bem programada que lhe tinha dado aquele ar de rapaz do campo, pele trigada, cabelo quase loiro e olhos azuis, se podia embeiçar por aquela coisa? Ainda pra mais que "primo com primo, nascem filhos carecas"! Mas gostos não não se discutem e se ele gostava, que era eu para dizer que não.
Fiquei então no quarto só eu e o Steffen. Um horror. Para alem de não abrir a boca, passava o tempo todo de volta do walkman a ouvir sempre a mesma cassete e a gemer em alemão. A única coisa que se aproveitava mesmo era a hora de dormir, a hora de vestir o pijama, e de pelo canto do olho apreciar aquele belo físico ariano. O certo é que ele não era parvo e percebeu que eu o espreitava, tal como eu percebi que isso não o incomodava minimamente, pelo contrario. Com o passar dos dias parecia que o acto de despir e vestir se estava a tornar um ritual com tempos de exposição e olhares cruzados bem definidos. Pouco a pouco a curiosidade levou a melhor, e sem uma única palavra, frente a frente como que se vê num espelho examina-mo-nos a nosso bel prazer. Vendo, espreitando, observando, mexendo, apalpando, acariciando e tocando à vez no corpo estranho e no entanto já tão familiar a nossa frente.
E como uma coisa leva a outra, o inevitável aconteceu. Depois de uma noite de desfolhada por entre viras e cantigas, muita alegria e milho rei. Depois da ceia e do recolher das gentes, ficou a eira reduzida a meia dúzia de gatos maltêzes. Eu, o Steffen, o António e mais três marialvas amigos deste. Por entre sussurros e combinações lá se foram os quatro mais um garrafão de vinho para o barracão da lenha segundo eles "jogar a lerpa" embora nenhum tivesse um baralho de cartas. Sei que tive pena de não ir com eles mas nessa noite a curiosidade espicaçava-me a ir derrubar o muro de Berlim.
Já no quarto, e de pijama vestido, enquanto ele tinha ido a casa de banho dispus-me a ouvir o que raio de música era aquela que ele tanto gostava. Chamava-se "Ton Steine Scherben" e apesar de não ser mau de todo não foi de encontro aos meus gostos musicais da altura. Apesar disso deitei-me na cama absorto naquele som e quando dei por isso ele estava junto a mim de calças do pijama pelos tornozelos "Sie mögen es? Sie möchten es saugen? Gekommen alles Ihr, wenn Sie es wünschen" sem perceber uma palavra percebi perfeitamente a intenção e foi esse o pretexto para o inicio das festividades daquilo a se viria chamar "Trommeln in der Nacht " numa homenagem ao dramaturgo por nós idolatrado. Foi com Steffen que li o Baal e foi ele que me explicou coisas em Brecht que eu sozinho nunca teria conseguido perceber. Foi a minha primeira púbis loira e o meu primeiro circuncisado.
A principio a não existência de prepurcio excitou-me de tal maneira que, pegando-lhe com ambas as mãos o revirava para que de todos os ângulos pudesse ver, pudesse sentir melhor aquela glande "descamizada". No final tirando a excitação da novidade, revelou-se um amante medíocre e frio. Tão frio como o vento dos meados de Outubro.
Despedi-mo-nos num beijo molhado numa cinzenta manhã de domingo, eu voltava para casa dos meus pais e ele dai a poucos dias a Düsseldorf. Ofereceu-me a cassete dos "Ton Steine Scherben" e lá fomos cada um na sua direcção, eu para o autocarro, para as castanhas e para o Chicha e ele para a casa da minha avó.
Nunca mais nos vimos. Infelizmente. Para ele que o Chicha também não gostou da musica. Mas assou castanhas e depois de dois copos de jeropiga bem enroladinhos junto a salamandra contei-lhe do "descamisado" e da raça ariana.
Até hoje estou para saber o que aconteceu a tal cassete.
27 de julho de 2009
Let's get physical
Os sentidos são coisas engraçadas. O cheiro, o odor de certas coisas leva-nos em viagens a lugares e a situações já esquecidas. Neste caso foi o cheiro de um gel de banho novo. Tem o cheiro do balneário do liceu. A mistura do cheiro do champô Linic com uma dose industrial de testosterona adolescente em ebulição.
O balneário do liceu era um grande corredor com bancos corridos e cabides de parede, ao fundo uma zona forrada a azulejo "azul cueca" com cerca de vinte chuveiros suspensos de um varão central.
Eu tinha ginástica todas as quartas feiras de manhã e todas as quartas feiras chegava atrasado, quase sempre em risco de ficar com falta porque o prof Gonçalves não era para brincadeiras, infelizmente porque eu na altura não me tinha nada importado de brincar com ele.
O prof Gonçalves andava sempre de fato de treino e tinha entre as pernas uma melancia. Pelo menos era o que parecia, tal não era o volume. Na hora de exemplificar algum exercício, arrancava as calças pelas molinhas laterais das pernas qual striper e de calçãosinho lá mostrava como se fazia o pino entre gritinhos das raparigas o esgar de nojo de alguns rapases e o sindroma de Pavlov de alguns outros. Sim, o prof Gonçalves não usava cuecas.
A razão do meu atraso devia-se ao facto de as aula começarem às dez horas, precisamente ao mesmo tempo que acabava a aula do décimo primeiro ano e lá ficava eu a equipar-me muito devagar, quase em câmara lenta, chegando ao ponto de retirar os atacadores das minhas Adidas Nastase para poder demorar mais um pouco e assim enquanto a turma sete do décimo primeiro tomava duche e se lavava eu também ia lavando os olhos. Depois lá ia a correr para o ginásio e para o ralhete do prof Gonçalves.
Nessa turma do décimo primeiro havia dois gémeos, o Celso e o Nelson, ambos com corpo de ginasta russo e genitália de chefe de tribo africana. Eu perdia-me em contemplações e fantasias com aqueles dois pedaços de mau caminho. Os gémeos eram perseguidos por uma legião de miúdas a quem eles não ligavam nenhuma, vivendo um para o outro e para os poucos amigos que pareciam ter. O Chicha não percebia este meu fascínio pelo balneário. Sim aquilo era bom de se ver mas não podia passar dai, e isso a ele não lhe interessava nada.
Certo dia o prof Gonçalves faltou, lá tivemos de voltar ao balneário para nos desequiparmos e cada um ir fazer o que bem lhe apetecesse nas duas horas seguintes. Ainda lá estavam alguns do décimo primeiro, entre eles os gémeos. E lá fiquei eu, mais uma vez em câmara lenta a vê-los passar a toalha para se secarem antes de se vestirem, quando dei por mim já toda a minha turma tinha saído, estava-mos só eu, o Chicha, o Bruno, os gémeos e mais quatro da outra turma.
O Chicha desbocado como sempre manda uma tirada sobre o comprimento dos gémeos de tal maneira alto que até fez eco. Vai um deles levanta-se chega-se junto a ele, bem ao meu lado, tira o material das cuecas e pergunta-lhe se ele o quer medir. Mas o pobre não sabia com quem se estava a meter o Chicha agarra-lhe no instrumento e entre risadas diz que não tem ali régua mas que se ele e os amigos quiserem arranja-se qualquer coisa.
O certo é que os outros cinco vieram logo para junto de nós e um deles sacando do dito cujo avança logo com uma de "Olha os putos querem festa! Então mede lá este também..."
Em menos de nada, já os gémeos, o Bruno e mais um tipo se tinham pirado e em menos de cinco minutos, sempre com o coração na boca, quer dizer o coração e não só, com medo que aparecesse alguém o serviço foi despachado.
Assim, todas as quartas feiras às dez horas lá ficava eu a equipar-me bem devagarinho, mas agora com a companhia do Chicha enquanto os nossos três novos amigos se desequipavam também muito devagarinho bem à nossa frente...
Anos mais tarde já na faculdade, encontrei os gémeos, tinha aberto um salão de cabeleireiro. Eu entrei para um corte de cabelo e ao vê-los o meu coração caiu aos pés. Enquanto lava a cabeça tomei coragem, apresentei-me e relembrei os tempos do liceu e a tesão que me tinham provocado na juventude. O certo é que em menos de nada o salão estava fechado. As persianas corridas e as nossas roupas espalhadas pelo chão.
Foi o concretizar de mais uma tara de liceu, apesar de tudo posso dizer que não foi de longe o melhor corte de cabelo que já tive. Infelizmente. Pois sai de lá sem o cortar.
O balneário do liceu era um grande corredor com bancos corridos e cabides de parede, ao fundo uma zona forrada a azulejo "azul cueca" com cerca de vinte chuveiros suspensos de um varão central.
Eu tinha ginástica todas as quartas feiras de manhã e todas as quartas feiras chegava atrasado, quase sempre em risco de ficar com falta porque o prof Gonçalves não era para brincadeiras, infelizmente porque eu na altura não me tinha nada importado de brincar com ele.
O prof Gonçalves andava sempre de fato de treino e tinha entre as pernas uma melancia. Pelo menos era o que parecia, tal não era o volume. Na hora de exemplificar algum exercício, arrancava as calças pelas molinhas laterais das pernas qual striper e de calçãosinho lá mostrava como se fazia o pino entre gritinhos das raparigas o esgar de nojo de alguns rapases e o sindroma de Pavlov de alguns outros. Sim, o prof Gonçalves não usava cuecas.
A razão do meu atraso devia-se ao facto de as aula começarem às dez horas, precisamente ao mesmo tempo que acabava a aula do décimo primeiro ano e lá ficava eu a equipar-me muito devagar, quase em câmara lenta, chegando ao ponto de retirar os atacadores das minhas Adidas Nastase para poder demorar mais um pouco e assim enquanto a turma sete do décimo primeiro tomava duche e se lavava eu também ia lavando os olhos. Depois lá ia a correr para o ginásio e para o ralhete do prof Gonçalves.
Nessa turma do décimo primeiro havia dois gémeos, o Celso e o Nelson, ambos com corpo de ginasta russo e genitália de chefe de tribo africana. Eu perdia-me em contemplações e fantasias com aqueles dois pedaços de mau caminho. Os gémeos eram perseguidos por uma legião de miúdas a quem eles não ligavam nenhuma, vivendo um para o outro e para os poucos amigos que pareciam ter. O Chicha não percebia este meu fascínio pelo balneário. Sim aquilo era bom de se ver mas não podia passar dai, e isso a ele não lhe interessava nada.
Certo dia o prof Gonçalves faltou, lá tivemos de voltar ao balneário para nos desequiparmos e cada um ir fazer o que bem lhe apetecesse nas duas horas seguintes. Ainda lá estavam alguns do décimo primeiro, entre eles os gémeos. E lá fiquei eu, mais uma vez em câmara lenta a vê-los passar a toalha para se secarem antes de se vestirem, quando dei por mim já toda a minha turma tinha saído, estava-mos só eu, o Chicha, o Bruno, os gémeos e mais quatro da outra turma.
O Chicha desbocado como sempre manda uma tirada sobre o comprimento dos gémeos de tal maneira alto que até fez eco. Vai um deles levanta-se chega-se junto a ele, bem ao meu lado, tira o material das cuecas e pergunta-lhe se ele o quer medir. Mas o pobre não sabia com quem se estava a meter o Chicha agarra-lhe no instrumento e entre risadas diz que não tem ali régua mas que se ele e os amigos quiserem arranja-se qualquer coisa.
O certo é que os outros cinco vieram logo para junto de nós e um deles sacando do dito cujo avança logo com uma de "Olha os putos querem festa! Então mede lá este também..."
Em menos de nada, já os gémeos, o Bruno e mais um tipo se tinham pirado e em menos de cinco minutos, sempre com o coração na boca, quer dizer o coração e não só, com medo que aparecesse alguém o serviço foi despachado.
Assim, todas as quartas feiras às dez horas lá ficava eu a equipar-me bem devagarinho, mas agora com a companhia do Chicha enquanto os nossos três novos amigos se desequipavam também muito devagarinho bem à nossa frente...
Anos mais tarde já na faculdade, encontrei os gémeos, tinha aberto um salão de cabeleireiro. Eu entrei para um corte de cabelo e ao vê-los o meu coração caiu aos pés. Enquanto lava a cabeça tomei coragem, apresentei-me e relembrei os tempos do liceu e a tesão que me tinham provocado na juventude. O certo é que em menos de nada o salão estava fechado. As persianas corridas e as nossas roupas espalhadas pelo chão.
Foi o concretizar de mais uma tara de liceu, apesar de tudo posso dizer que não foi de longe o melhor corte de cabelo que já tive. Infelizmente. Pois sai de lá sem o cortar.
25 de junho de 2009
Take My Breath Away
Em 1987 apaixonei-me pelo Val Kilmer, enquanto toda a gente suspirava quer pelo Tom quer pela Kelli eu secretamente mordia-me pelo Iceman. De tal modo que até troquei um dos meus posteres da Samanta Fox que vinha na Bravo, que era uma revista alemã que a malta comprava "para ver os bonecos" e sacar os posteres e os autocolantes, porque até hoje acho que nenhum de nós aprendeu uma palavra de alemão, mas enfim, troquei o tal poster por um dele com aquele ar de maroto e vestido com aquele macacão do filme.
Colei-o na parede aos pés da cama e todas as noites masturbava-me a fantasiar com o Iceman, aviões e motos. O deliro foi tal que a muito custo convenci o meu pai a comprar-me um blusão de aviador, que o pai do Índio vendia, que ele era Tenente-coronel na Base aérea de Tancos. A única pessoa a quem confidenciei esta paixão foi, como não podia deixar de ser, ao Chicha e ele, por artes mágicas consegui que fosse-mos todos numa visita a Base Aérea com o pai do Índio.
Assim, num dia bem cedinho ainda antes do nascer do sol, lá fomos num autocarro azul a caminho de Tancos e, depois de do que pareceu uma eternidade chegamos mesmo a meio da formatura. Os olhos quase me saíram das órbitas, centenas de "aviadores" ali alinhados como fruta num super-mercado. Depois da visita guiada pelas instalações, oficinas, casernas e afins, um dos pontos altos do dia foi a hora da ginástica. Dezenas de "magalas" de calção e camisola de alças, brancos como a neve, a exercitarem os corpos enquanto eu o Chicha, o Cabeçudo e o Bruno, enquanto os outros seguiam para ver sabe-se lá o quê, ficamos ali a babar sentados no chão de pernas encolhidas de modo a esconder discretamente as descomunais erecções que aquilo nos provocou.
Outro ponto alto foi o ir a bordo de um avião de caça, ali sentado a minha fantasia entrou em espiral e nos poucos segundos que estive sentado naquele cockpit imaginei-me a voar com o Iceman e depois do treino aéreo ir-mos os dois para a camarata fazer amor selvagem e ser-mos apanhados pelo resto do pelotão que excitados pela nossa volúpia se juntava a nos numa orgia descomunal.
No regresso a casa enquanto todos dormiam no autocarro, contei ao Chicha esta fantasia que tinha tido sentado no avião, enquanto ele fazia a sua magia pelo bolso rasgado das minhas calças. Para ele a vida da tropa não lhe dizia nada e eu mal podia esperar para concorrer á Força Aérea.
O meu pai achou muito bem, que a tropa ia fazer de mim um homem, também achei, mas secretamente o que eu esperava era fazer muitos homens na tropa.
Alguns dia depois tudo isto passou, e culpa foi da televisão e de "O preto esconde a força" e do tipo que borrifava com Drakkar Noir e fazia tiro com arco e sky e boxe em tronco nu. Apaixonei-me na hora, eu e o Chicha, que ficamos a babar, chegando mesmo a gravar no vídeo da tia dele o anuncio para ver-mos vezes sem fim enquanto nos acariciava-mos um ao outro frente a televisão.
Ao saber desta nossa fixação o meu padrinho ofereceu-me um frasco do dito perfume, que em poucos dias eu o Chicha e o Cabeçudo gasta-mos numa fúria perfumista. Depois o meu padrinho ensinou-nos que apenas umas quantas gotas na banheira dava o mesmo resultado e a brincadeira podia ser muito mais interessante, e assim foi. Fomos para casa dele e toma-mos o primeiro banho de espuma das nossa vidas, enquanto o meu padrinho sentado na sanita brincando com as jóias da família nos observava nos nossos jogos subaquáticos. No fim, e como forma de agradecimento pegamos nele e as nossas bocas foram pequenas para tanta sofreguidão. Foi também a primeira vez que o Cabeçudo provou leite, o do meu padrinho, que partilhamos entre todos num glorioso beijo final.
Quem não gostou nada desta onda do perfume foi o Bruno que dizia que lhe dava dores de cabeça e mais não sei o quê. Infelizmente. Para ele que não foi à "pesca submarina".
Colei-o na parede aos pés da cama e todas as noites masturbava-me a fantasiar com o Iceman, aviões e motos. O deliro foi tal que a muito custo convenci o meu pai a comprar-me um blusão de aviador, que o pai do Índio vendia, que ele era Tenente-coronel na Base aérea de Tancos. A única pessoa a quem confidenciei esta paixão foi, como não podia deixar de ser, ao Chicha e ele, por artes mágicas consegui que fosse-mos todos numa visita a Base Aérea com o pai do Índio.
Assim, num dia bem cedinho ainda antes do nascer do sol, lá fomos num autocarro azul a caminho de Tancos e, depois de do que pareceu uma eternidade chegamos mesmo a meio da formatura. Os olhos quase me saíram das órbitas, centenas de "aviadores" ali alinhados como fruta num super-mercado. Depois da visita guiada pelas instalações, oficinas, casernas e afins, um dos pontos altos do dia foi a hora da ginástica. Dezenas de "magalas" de calção e camisola de alças, brancos como a neve, a exercitarem os corpos enquanto eu o Chicha, o Cabeçudo e o Bruno, enquanto os outros seguiam para ver sabe-se lá o quê, ficamos ali a babar sentados no chão de pernas encolhidas de modo a esconder discretamente as descomunais erecções que aquilo nos provocou.
Outro ponto alto foi o ir a bordo de um avião de caça, ali sentado a minha fantasia entrou em espiral e nos poucos segundos que estive sentado naquele cockpit imaginei-me a voar com o Iceman e depois do treino aéreo ir-mos os dois para a camarata fazer amor selvagem e ser-mos apanhados pelo resto do pelotão que excitados pela nossa volúpia se juntava a nos numa orgia descomunal.
No regresso a casa enquanto todos dormiam no autocarro, contei ao Chicha esta fantasia que tinha tido sentado no avião, enquanto ele fazia a sua magia pelo bolso rasgado das minhas calças. Para ele a vida da tropa não lhe dizia nada e eu mal podia esperar para concorrer á Força Aérea.
O meu pai achou muito bem, que a tropa ia fazer de mim um homem, também achei, mas secretamente o que eu esperava era fazer muitos homens na tropa.
Alguns dia depois tudo isto passou, e culpa foi da televisão e de "O preto esconde a força" e do tipo que borrifava com Drakkar Noir e fazia tiro com arco e sky e boxe em tronco nu. Apaixonei-me na hora, eu e o Chicha, que ficamos a babar, chegando mesmo a gravar no vídeo da tia dele o anuncio para ver-mos vezes sem fim enquanto nos acariciava-mos um ao outro frente a televisão.
Ao saber desta nossa fixação o meu padrinho ofereceu-me um frasco do dito perfume, que em poucos dias eu o Chicha e o Cabeçudo gasta-mos numa fúria perfumista. Depois o meu padrinho ensinou-nos que apenas umas quantas gotas na banheira dava o mesmo resultado e a brincadeira podia ser muito mais interessante, e assim foi. Fomos para casa dele e toma-mos o primeiro banho de espuma das nossa vidas, enquanto o meu padrinho sentado na sanita brincando com as jóias da família nos observava nos nossos jogos subaquáticos. No fim, e como forma de agradecimento pegamos nele e as nossas bocas foram pequenas para tanta sofreguidão. Foi também a primeira vez que o Cabeçudo provou leite, o do meu padrinho, que partilhamos entre todos num glorioso beijo final.
Quem não gostou nada desta onda do perfume foi o Bruno que dizia que lhe dava dores de cabeça e mais não sei o quê. Infelizmente. Para ele que não foi à "pesca submarina".
16 de abril de 2009
Ovinhos de Páscoa
As férias da Páscoa nunca tinham grande piada. Toda a malta minimamente interessante saia para fora, uns para casa do avós, outros de mini-férias ali até Espanha.
O ano de 1989 nesse aspecto não foi diferente. Ficou na aldeia apenas meia dúzia de gente. Eu, o meu padrinho Carlos, o Black, o Bruno, o Pedro e o Fernando.
Aborrecidos de morte, sem nada para fazer, que nem para um joguito de futebol tínhamos gente suficiente, passava-mos os dias a vagabundear pelas ruas quando não chovia ou a jogar ás cartas em casa de um ou de outro.
O meu padrinho e o Black nem sempre alinhavam nos jogos das cartas, afinal sempre tinham mais de fazer. Quando estávamos todos juntos, a malta mandava umas bocas foleiras mas eles faziam-se de desentendidos, quem não percebia mesmo nada era o Fernando que desde aquela aventura astronómica nunca mais tinha tido coragem de me olhar olhos nos olhos. Mas eu estava determinado em mudar isso.
Ao fim do quarto dia de férias, o Carlos e o Black desapareceram, ninguém os viu durante dois dias inteirinhos. Quando voltaram, voltaram com uma na manga. Tinham preparado uma festa. Uma festa temática, assim cada um de nós teria de convencer os pais a deixar-nos passar a noite fora em casa do Carlos para uma "Caçada aos ovos". Eles já tinham tudo preparado e ficamos todos entusiasmados, embora no fundo fosse coisa de putos sempre era algo para agitar o marasmo daqueles dias.
Assim, naquela noite de Sexta-feira Santa lá nos dirigimos todos a casa do Carlos munidos de cestinhas quais menininhas para a tal "Caçada". Para minha surpresa fui o segundo a chegar, para alem dos anfitriões Carlos e Black, já lá estava o Fernando. Não fiquei surpreendido por ele já lá estar, fiquei foi porque ao entrar na sala o bom do Fernando estava tal como veio ao mundo, sentado na carpete a pintar com um pincelinho e guache os "ovos", sim os "ovos"! Foi aí que se fez luz e percebi que afinal aquela "Caçada" iria ser bem mais animada do que eu tinha inicialmente imaginado.
Entrei, despi-me e perguntei ao Fernando "Queres pintar os meus?" ao que o sacana responde "Claro, pinto-te os ovinhos e o pintainho" e com a maior das delicadezas saca do pincel e das tintas e vai de fazer bolinhas e tirinhas nos meus "ovos". Em menos de nada já tinha chegado toda a gente e depois de todos terem decorado os seus "ovos" começou a caçada.
As regras eram simples, primeiro e de luz apagada três de nós tinham de encontrar o par de "ovos" que mais lhe agradasse, depois se a "Galinha" fosse do seu agrado podia divertir-se um pouco, ao sinal do Carlos voltava-mos ao ponto de partida e era a vez dos outros três. No fundo foi uma espécie do jogo do quarto escuro, mas esta versão era muito mais divertida.
Depois de termos todo "caçado" os "ovos" o Black sugeriu que o melhor era deixar-mos a luz acesa e fazer uma "omeleta". A ideia foi bem aceite por todos, eu peguei na "Galinha" do Fernando decidido a fazer "claras em castelo" e sem saber como vi-me envolvido num turbilhão de corpos e prazeres.
Lá pelas cinco da manhã, completamente esgotados, fomos dormir nos braços uns dos outros. Lembro-me de pensar que pena o Chicha não ter estado aqui.
Quase no fim das férias, o Chicha voltou, e vinha com um saco de caramelos.
Não comi nenhum. Infelizmente. Para ele que também não comeu da tal "omeleta".
O ano de 1989 nesse aspecto não foi diferente. Ficou na aldeia apenas meia dúzia de gente. Eu, o meu padrinho Carlos, o Black, o Bruno, o Pedro e o Fernando.
Aborrecidos de morte, sem nada para fazer, que nem para um joguito de futebol tínhamos gente suficiente, passava-mos os dias a vagabundear pelas ruas quando não chovia ou a jogar ás cartas em casa de um ou de outro.
O meu padrinho e o Black nem sempre alinhavam nos jogos das cartas, afinal sempre tinham mais de fazer. Quando estávamos todos juntos, a malta mandava umas bocas foleiras mas eles faziam-se de desentendidos, quem não percebia mesmo nada era o Fernando que desde aquela aventura astronómica nunca mais tinha tido coragem de me olhar olhos nos olhos. Mas eu estava determinado em mudar isso.
Ao fim do quarto dia de férias, o Carlos e o Black desapareceram, ninguém os viu durante dois dias inteirinhos. Quando voltaram, voltaram com uma na manga. Tinham preparado uma festa. Uma festa temática, assim cada um de nós teria de convencer os pais a deixar-nos passar a noite fora em casa do Carlos para uma "Caçada aos ovos". Eles já tinham tudo preparado e ficamos todos entusiasmados, embora no fundo fosse coisa de putos sempre era algo para agitar o marasmo daqueles dias.
Assim, naquela noite de Sexta-feira Santa lá nos dirigimos todos a casa do Carlos munidos de cestinhas quais menininhas para a tal "Caçada". Para minha surpresa fui o segundo a chegar, para alem dos anfitriões Carlos e Black, já lá estava o Fernando. Não fiquei surpreendido por ele já lá estar, fiquei foi porque ao entrar na sala o bom do Fernando estava tal como veio ao mundo, sentado na carpete a pintar com um pincelinho e guache os "ovos", sim os "ovos"! Foi aí que se fez luz e percebi que afinal aquela "Caçada" iria ser bem mais animada do que eu tinha inicialmente imaginado.
Entrei, despi-me e perguntei ao Fernando "Queres pintar os meus?" ao que o sacana responde "Claro, pinto-te os ovinhos e o pintainho" e com a maior das delicadezas saca do pincel e das tintas e vai de fazer bolinhas e tirinhas nos meus "ovos". Em menos de nada já tinha chegado toda a gente e depois de todos terem decorado os seus "ovos" começou a caçada.
As regras eram simples, primeiro e de luz apagada três de nós tinham de encontrar o par de "ovos" que mais lhe agradasse, depois se a "Galinha" fosse do seu agrado podia divertir-se um pouco, ao sinal do Carlos voltava-mos ao ponto de partida e era a vez dos outros três. No fundo foi uma espécie do jogo do quarto escuro, mas esta versão era muito mais divertida.
Depois de termos todo "caçado" os "ovos" o Black sugeriu que o melhor era deixar-mos a luz acesa e fazer uma "omeleta". A ideia foi bem aceite por todos, eu peguei na "Galinha" do Fernando decidido a fazer "claras em castelo" e sem saber como vi-me envolvido num turbilhão de corpos e prazeres.
Lá pelas cinco da manhã, completamente esgotados, fomos dormir nos braços uns dos outros. Lembro-me de pensar que pena o Chicha não ter estado aqui.
Quase no fim das férias, o Chicha voltou, e vinha com um saco de caramelos.
Não comi nenhum. Infelizmente. Para ele que também não comeu da tal "omeleta".
24 de fevereiro de 2009
Ê, meu amigo Charlie...
No Carnaval a malta fazia sempre um baile na Casa-do-Povo. Uns balões, umas serpentinas, a aparelhagem do Black e muita musica brasileira tipo "Ê meu amigo Chárlieeee, ó ó ó ó ..."
O Black era um tipo um pouco mais velho que nós e que tinha o secreto desejo de ir para os comandos, já naquele tempo o gajo parecia um armário, bom a bem dizer ele ainda estava dentro do armário, tinha uns braços e umas pernas que pareciam preservativos cheios de nozes.
A malta mascarava-se sempre de "poleiros", o "poleiro" é uma mascara em que se vestem roupas velhas, geralmente das avós e se cobre a cara com uma mascara barata de plástico e um lenço também rapinado à avó, um cajado ou um pau servem para completar a indumentária e dar cacetada nos não mascarados, quem não queria levar tinha de dar uma moeda. É claro que essas moedas eram sempre juntas no final da noite e esturradas em cerveja no bar da Casa-do-Povo.
Voltando ao Black, estávamos em 1988 e nessa altura o Chicha andava obcecado com o Black. É que algum tempo antes, depois de uma partida de futebol com uma das aldeias vizinhas lá no campo deles, da tal aldeia, existia um balneário. Coisa rara por aquelas bandas, e foi ai que o Chicha viu pela primeira vez, e tal como ele próprio dizia, "...toda a chicha do Black. Pá aquilo quase que chega aos joelhos!".
O Black era e ainda hoje é amigo do meu padrinho Carlos, o Carlos não é meu padrinho de baptismo mas não sei bem porquê comecei a chamar-lhe padrinho e ele afilhado, coisa que se mantém até hoje, como estava a dizer o meu padrinho e o Black eram e ainda são muito amigos, e quando digo muito, quero dizer bastante, e quando digo bastante, quero dizer que ainda hoje se amam com a mesma intensidade de 1988.
O Black foi o primeiro gajo que conheci que se depilava todo, em 1988 o Black pegava na Gillette e tirava todos os pelinhos do corpo, só tinha mesmo as pestanas e as sobrancelhas. Coisa é claro que me deixou cheio de curiosidade, quem mo contou foi o meu padrinho, a quem eu uma vez acedi a "raspar" os pelinhos mais inacessíveis da sua anatomia, á conta de uma história a bordo de um certo cargueiro que lhe tinha contado tempos antes e de que já falei também aqui no blog. Foi nesse dia que soube da grande amizade dos dois. E como uma coisa leva a outra, contei ao Chicha, o Chicha contou-me a mim e como estava-mos a poucos dias do Carnaval, pusemos um plano em acção.
Mascarados de poleiros andamos toda a tarde a cravar moedas e juntamos uma boa maquia, na hora do baile lá fomos, ainda mascarados meter-nos com o Black, cacetada daqui, paulitada dali, até o bicho começara a ficar chateado, "Se sei quem vocês são vão ver. Arranco-vos a cabeça à dentada. Putos do c#r@lh&!".
É claro que ao fim de mais de duas horas nisto ele vem mesmo atrás de nós, fugimos como o diabo da cruz sempre com ele no encalço. Quando finalmente ele nos apanhou, ou melhor quando nos deixamos apanhar, ele tira-nos as mascaras e vai "Vocês?! Filhos da p#t@! Agora pra castigo têm de me pagar uma mini" e vai o Chicha " Ó Black, a gente até te paga uma grade." E lá fomos para o bar, mandamos vir uma grade e enquanto conversava-mos eu e Chicha bebemos uma e ele o resto quase sem dar por isso, o certo é que já com o grão na asa o gajo queria ir embora, que tinha prometido ir ter com o meu padrinho e mais não sei o quê. Mas ao levantar-se, tropeça e cai redondo e vai a gente, bons samaritanos, toca de ajudar o Black. "Deixa que a gente leva-te a casa". E levamos. Quer dizer, levamos para casa do Chicha.
Deitámo-lo na cama do Chicha, tiramos-lhe as botas e a camisa, não fosse ele vomitar e vai o gajo, agarra-nos e puxa-nos aos dois. "Com que então, os meninos pensavam que me embebedavam?". "Não pá, a gente só tava na brincadeira" digo eu. "Na brincadeira? É? Não faz mal, que o Black tem aqui uma coisinha pra vocês brincarem...".
E foi assim que se passou mais um Carnaval, acabamos foi por não ir ao baile. Infelizmente. Para o meu padrinho que passou a noite à procura do Black com a serpentina na mão.
O Black era um tipo um pouco mais velho que nós e que tinha o secreto desejo de ir para os comandos, já naquele tempo o gajo parecia um armário, bom a bem dizer ele ainda estava dentro do armário, tinha uns braços e umas pernas que pareciam preservativos cheios de nozes.
A malta mascarava-se sempre de "poleiros", o "poleiro" é uma mascara em que se vestem roupas velhas, geralmente das avós e se cobre a cara com uma mascara barata de plástico e um lenço também rapinado à avó, um cajado ou um pau servem para completar a indumentária e dar cacetada nos não mascarados, quem não queria levar tinha de dar uma moeda. É claro que essas moedas eram sempre juntas no final da noite e esturradas em cerveja no bar da Casa-do-Povo.
Voltando ao Black, estávamos em 1988 e nessa altura o Chicha andava obcecado com o Black. É que algum tempo antes, depois de uma partida de futebol com uma das aldeias vizinhas lá no campo deles, da tal aldeia, existia um balneário. Coisa rara por aquelas bandas, e foi ai que o Chicha viu pela primeira vez, e tal como ele próprio dizia, "...toda a chicha do Black. Pá aquilo quase que chega aos joelhos!".
O Black era e ainda hoje é amigo do meu padrinho Carlos, o Carlos não é meu padrinho de baptismo mas não sei bem porquê comecei a chamar-lhe padrinho e ele afilhado, coisa que se mantém até hoje, como estava a dizer o meu padrinho e o Black eram e ainda são muito amigos, e quando digo muito, quero dizer bastante, e quando digo bastante, quero dizer que ainda hoje se amam com a mesma intensidade de 1988.
O Black foi o primeiro gajo que conheci que se depilava todo, em 1988 o Black pegava na Gillette e tirava todos os pelinhos do corpo, só tinha mesmo as pestanas e as sobrancelhas. Coisa é claro que me deixou cheio de curiosidade, quem mo contou foi o meu padrinho, a quem eu uma vez acedi a "raspar" os pelinhos mais inacessíveis da sua anatomia, á conta de uma história a bordo de um certo cargueiro que lhe tinha contado tempos antes e de que já falei também aqui no blog. Foi nesse dia que soube da grande amizade dos dois. E como uma coisa leva a outra, contei ao Chicha, o Chicha contou-me a mim e como estava-mos a poucos dias do Carnaval, pusemos um plano em acção.
Mascarados de poleiros andamos toda a tarde a cravar moedas e juntamos uma boa maquia, na hora do baile lá fomos, ainda mascarados meter-nos com o Black, cacetada daqui, paulitada dali, até o bicho começara a ficar chateado, "Se sei quem vocês são vão ver. Arranco-vos a cabeça à dentada. Putos do c#r@lh&!".
É claro que ao fim de mais de duas horas nisto ele vem mesmo atrás de nós, fugimos como o diabo da cruz sempre com ele no encalço. Quando finalmente ele nos apanhou, ou melhor quando nos deixamos apanhar, ele tira-nos as mascaras e vai "Vocês?! Filhos da p#t@! Agora pra castigo têm de me pagar uma mini" e vai o Chicha " Ó Black, a gente até te paga uma grade." E lá fomos para o bar, mandamos vir uma grade e enquanto conversava-mos eu e Chicha bebemos uma e ele o resto quase sem dar por isso, o certo é que já com o grão na asa o gajo queria ir embora, que tinha prometido ir ter com o meu padrinho e mais não sei o quê. Mas ao levantar-se, tropeça e cai redondo e vai a gente, bons samaritanos, toca de ajudar o Black. "Deixa que a gente leva-te a casa". E levamos. Quer dizer, levamos para casa do Chicha.
Deitámo-lo na cama do Chicha, tiramos-lhe as botas e a camisa, não fosse ele vomitar e vai o gajo, agarra-nos e puxa-nos aos dois. "Com que então, os meninos pensavam que me embebedavam?". "Não pá, a gente só tava na brincadeira" digo eu. "Na brincadeira? É? Não faz mal, que o Black tem aqui uma coisinha pra vocês brincarem...".
E foi assim que se passou mais um Carnaval, acabamos foi por não ir ao baile. Infelizmente. Para o meu padrinho que passou a noite à procura do Black com a serpentina na mão.
18 de dezembro de 2008
We'll Always Have Paris
Na passagem de ano a malta juntava-se sempre numa garagem ou numa casa desabitada, que era coisa que não faltava na aldeia, emprestada por um avô ou pai, juntava uns trocos, comprava umas febras, umas grades de cerveja, roubava uns chouriços e uma garrafa de espumante e fazíamos o nosso réveillon privado. Sempre com muita música, animação e alguma "brincadeira", o qb para uma noite bem passada com os amigos de sempre.
Nesse ano porem foi diferente. O tio Augusto convidou-me a ir com ele a Paris. Como andava a tratar da CEE tinha de viajar para França e passar por lá o Ano Novo. Depois de convencer a minha avó que a muito custo e com a promessa que não me levaria por maus caminhos nem me misturasse com aquela gente do "Bochechas" e que estaria de volta a casa impreterivelmente no dia 4 de modo a voltar a tempo do início das aulas, lá acedeu a que o tio me levasse com ele.
O mais complicado foi convencer o meu pai, mas o Augusto fez prevalecer a sua autoridade de tio e o meu pai lá acabou por concordar que iria ser uma boa experiência para mim, em vez de ficar por ali pela aldeia onde provavelmente me embebedaria e acabaria a noite com ele a ter de me ir buscar ao fontanário, onde acabavam sempre todos os bêbados de todas as passagens de ano.
E assim foi, em menos de nada seguia-mos de carro para Lisboa. A primeira coisa que fizemos logo depois de dar entrada no Hotel Avenida Palace foi arranjar-me um passaporte, coisa normalmente complicada mas que o Augusto conseguiu com a ajuda de um assessor do tal do "Bochechas" no próprio dia.
O hotel deslumbrou-me, nunca tinha em toda a vida experimentado o verdadeiro luxo e recordo até hoje os lustres, a escadaria, o quarto e os lençóis. Aqueles lençóis imaculados com toque de puro mel. Passamos lá dois magníficos dias praticamente enclausurados no quarto, só saindo no sábado de manhã para me comprar roupa "decente", uma mala e um corte de cabelo.
No dia seguinte voamos para Paris. Lembro que me senti um galã de Hollywood com as minhas roupas novas a sair do avião ao encontro da cidade luz. Ficamos hospedados no Ritz na Place Vendôme, e depois de uma visita relâmpago pelos sítios turísticos e de mais de 15 rolos de fotografias, fomos finalmente jantar ao Les Élysées, um magnífico e luxuoso restaurante onde comi "Foi de veau" com umas batatinhas tipo berlinde e um molho à base de licor de absinto. Mais uma vez senti-me nas nuvens, sentia-me um príncipe russo em férias.
Nessa noite fomos a um bar que o tio conhecia e que se eu passasse por lá sozinho nunca diria que existia ali um bar, foi a primeira vez que vi e ouvi um karaoke. A fauna ara no mínimo interessante, nunca até então tinha estado num bar gay e a visão de certas coisas, personagens e atitudes abriu-me definitivamente os olhos para outra realidade. Foi uma noite muito divertida, conheci o Lá Fraise, um punk de cabelo cor-de-rosa amigo do meu tio e a sua melhor amiga de todo o mundo e em casa de quem iríamos passar o réveillon. Cláudia, uma drag queen de 1,90m com uma vasta cabeleira loira quase até ao chão.
Nos restantes dias, fiquei praticamente só no hotel, embora não me faltasse nada, porque qualquer desejo meu era para satisfazer sem questionar, tais tinham sido as ordens do tio Augusto, sentia-me um pouco abandonado, tendo apenas por companhia Lá Fraise, que de quando em vez vinha conversar um pouco comigo entre clientes no cabeleireiro. Eu sabia que o tio tinha que tratar de uma série de coisas chatas e papelada e reuniões.
Mas tudo era compensado quando ele chegava. Despia-se, despia-me e tomava-mos um banho. Depois deitávamo-nos um pouco para descansar antes do jantar. É claro que eu nunca o deixava descansar, desejoso de por em prática tudo o que aprendia com Lá Fraise, era engraçado, ver aquele punk com ar amaricado nos salões de um dos hotéis mais luxuosos de Paris e no entanto ele movia-se por ali como se o Ritz fosse a sua casa.
A passagem de ano propriamente dita não teve grande glamour, no fundo resumiu-se a um grupo de senhores engravatados, acompanhados por uns quantos rapazes mais novos e uma drag queen vestida de lamé prateado da cabeça aos pés. Tudo bem regado a Veuve Clicquot.
Enquanto o Augusto conversava com um velho que tinha idade para ser trisavô dele, a companhia desse mesmo matusalém veio conversar comigo, tinha mais 2 anos que eu, ombros largos, queixo quadrado, cabelos aloirados e uns olhos do mais verde que se possa imaginar. Depois de alguma conversa no seu francês macarrónico, que ele era checoslovaco lá nos acabamos por entender em inglês apesar de eu apenas "arranhar" a língua de sua majestade.
Fiquei então a saber que se chamava Sergej e vivia em Paris há dois meses em casa de Moussieur Antoine que o tinha convidado a partilhar o seu palacete e a sua alcova, coisa que Sergej fazia de bom grado. Já que na parte da alcova, para alem de umas quantas tentativas falhadas por parte de Moussieur Antoine, Sergej apenas tinha de se deixar "massajar" pela velha raposa. Conversa puxa conversa, acabei sem saber muito bem como, numa casa de banho com aqueles olhos verdes enquanto uma língua aveludada me percorria partes do corpo que eu nem sabia que existiam.
Cerca das 22 horas a coisa começou a esfriar, ou melhor começou a aquecer, porque dois a dois os velhadas e os rapazes ião desaparecendo, peguei no Sergej e no meu tio Augusto e sem uma palavra arrastei-os escadas abaixo enquanto este barafustava que ainda tinha umas coisas da conversa que estava a ter que queria explorar. Mandei o chauffeur levar-nos ao hotel e em menos de meia hora estava-mos naquela cama king size a explorar outras coisas.
Nessa noite não vimos o fogo-de-artifício. Infelizmente. Para o Moussieur Antoine, que em princípio dormiu sozinho.
Nesse ano porem foi diferente. O tio Augusto convidou-me a ir com ele a Paris. Como andava a tratar da CEE tinha de viajar para França e passar por lá o Ano Novo. Depois de convencer a minha avó que a muito custo e com a promessa que não me levaria por maus caminhos nem me misturasse com aquela gente do "Bochechas" e que estaria de volta a casa impreterivelmente no dia 4 de modo a voltar a tempo do início das aulas, lá acedeu a que o tio me levasse com ele.
O mais complicado foi convencer o meu pai, mas o Augusto fez prevalecer a sua autoridade de tio e o meu pai lá acabou por concordar que iria ser uma boa experiência para mim, em vez de ficar por ali pela aldeia onde provavelmente me embebedaria e acabaria a noite com ele a ter de me ir buscar ao fontanário, onde acabavam sempre todos os bêbados de todas as passagens de ano.
E assim foi, em menos de nada seguia-mos de carro para Lisboa. A primeira coisa que fizemos logo depois de dar entrada no Hotel Avenida Palace foi arranjar-me um passaporte, coisa normalmente complicada mas que o Augusto conseguiu com a ajuda de um assessor do tal do "Bochechas" no próprio dia.
O hotel deslumbrou-me, nunca tinha em toda a vida experimentado o verdadeiro luxo e recordo até hoje os lustres, a escadaria, o quarto e os lençóis. Aqueles lençóis imaculados com toque de puro mel. Passamos lá dois magníficos dias praticamente enclausurados no quarto, só saindo no sábado de manhã para me comprar roupa "decente", uma mala e um corte de cabelo.
No dia seguinte voamos para Paris. Lembro que me senti um galã de Hollywood com as minhas roupas novas a sair do avião ao encontro da cidade luz. Ficamos hospedados no Ritz na Place Vendôme, e depois de uma visita relâmpago pelos sítios turísticos e de mais de 15 rolos de fotografias, fomos finalmente jantar ao Les Élysées, um magnífico e luxuoso restaurante onde comi "Foi de veau" com umas batatinhas tipo berlinde e um molho à base de licor de absinto. Mais uma vez senti-me nas nuvens, sentia-me um príncipe russo em férias.
Nessa noite fomos a um bar que o tio conhecia e que se eu passasse por lá sozinho nunca diria que existia ali um bar, foi a primeira vez que vi e ouvi um karaoke. A fauna ara no mínimo interessante, nunca até então tinha estado num bar gay e a visão de certas coisas, personagens e atitudes abriu-me definitivamente os olhos para outra realidade. Foi uma noite muito divertida, conheci o Lá Fraise, um punk de cabelo cor-de-rosa amigo do meu tio e a sua melhor amiga de todo o mundo e em casa de quem iríamos passar o réveillon. Cláudia, uma drag queen de 1,90m com uma vasta cabeleira loira quase até ao chão.
Nos restantes dias, fiquei praticamente só no hotel, embora não me faltasse nada, porque qualquer desejo meu era para satisfazer sem questionar, tais tinham sido as ordens do tio Augusto, sentia-me um pouco abandonado, tendo apenas por companhia Lá Fraise, que de quando em vez vinha conversar um pouco comigo entre clientes no cabeleireiro. Eu sabia que o tio tinha que tratar de uma série de coisas chatas e papelada e reuniões.
Mas tudo era compensado quando ele chegava. Despia-se, despia-me e tomava-mos um banho. Depois deitávamo-nos um pouco para descansar antes do jantar. É claro que eu nunca o deixava descansar, desejoso de por em prática tudo o que aprendia com Lá Fraise, era engraçado, ver aquele punk com ar amaricado nos salões de um dos hotéis mais luxuosos de Paris e no entanto ele movia-se por ali como se o Ritz fosse a sua casa.
A passagem de ano propriamente dita não teve grande glamour, no fundo resumiu-se a um grupo de senhores engravatados, acompanhados por uns quantos rapazes mais novos e uma drag queen vestida de lamé prateado da cabeça aos pés. Tudo bem regado a Veuve Clicquot.
Enquanto o Augusto conversava com um velho que tinha idade para ser trisavô dele, a companhia desse mesmo matusalém veio conversar comigo, tinha mais 2 anos que eu, ombros largos, queixo quadrado, cabelos aloirados e uns olhos do mais verde que se possa imaginar. Depois de alguma conversa no seu francês macarrónico, que ele era checoslovaco lá nos acabamos por entender em inglês apesar de eu apenas "arranhar" a língua de sua majestade.
Fiquei então a saber que se chamava Sergej e vivia em Paris há dois meses em casa de Moussieur Antoine que o tinha convidado a partilhar o seu palacete e a sua alcova, coisa que Sergej fazia de bom grado. Já que na parte da alcova, para alem de umas quantas tentativas falhadas por parte de Moussieur Antoine, Sergej apenas tinha de se deixar "massajar" pela velha raposa. Conversa puxa conversa, acabei sem saber muito bem como, numa casa de banho com aqueles olhos verdes enquanto uma língua aveludada me percorria partes do corpo que eu nem sabia que existiam.
Cerca das 22 horas a coisa começou a esfriar, ou melhor começou a aquecer, porque dois a dois os velhadas e os rapazes ião desaparecendo, peguei no Sergej e no meu tio Augusto e sem uma palavra arrastei-os escadas abaixo enquanto este barafustava que ainda tinha umas coisas da conversa que estava a ter que queria explorar. Mandei o chauffeur levar-nos ao hotel e em menos de meia hora estava-mos naquela cama king size a explorar outras coisas.
Nessa noite não vimos o fogo-de-artifício. Infelizmente. Para o Moussieur Antoine, que em princípio dormiu sozinho.
16 de dezembro de 2008
Sounds like a melody
Em casa da minha avó não havia árvore nem Pai Natal. Nos primeiros dias de Dezembro lá íamos, eu a Cremilde, o meu tio Joseph e o meu primo Carlos apanhar musgo para no canto da sala ao pé da lareira, fazer o Presépio, coisa que levava sempre, pelo menos, um dia inteirinho, entre o escolher o musgo certo, as pedras, pedregulhos, pedrinhas, troncos, ramos de sobro, pedaços de cortiça, ramos de oliveira e um sem numero de merdices que eles lá resolviam recolher. Até ao empilhar da coisa e do colocar as figuras no sitio certo, no fim e só depois do aval da minha avó se colocavam Maria e José à espera do menino que só chegava à uma da manhã do dia 26, depois da missa do galo.
Eram dias de fartura esses, a Cremilde tinha sempre rabanadas, filhoses e coscorões, e de manhã podia-se beber café ao pequeno almoço. O galo engordava na capoeira sem saber o que o esperava e o meu avô engordava na sala sabendo exactamente o que o esperava.
Todos os anos o tio Augusto, irmão mais novo da minha avó, vinha passar o Natal, solteiríssimo e na flor da idade, como ele próprio costumava dizer.
Trazia sempre novidades, ora um brinquedo novo ainda por lançar em Portugal, ora uma guloseima que ainda ninguém tinha visto, era sempre algo que me maravilhava por ser único e por ser para mim. Nunca se esquecia, assim que pousava a mala no hall a primeira coisa que fazia depois de ir pedir a benção à mana era ir procurar-me com o embrulho na mão. Ficávamos então horas a fio com ele a contar-me por onde tinha andado nesse ultimo ano, que países visitara e as aventuras que tivera enquanto adido cultural de Portugal no estrangeiro. Preparava-se para Junho do próximo ano a adesão de Portugal à CEE, e ele tinha andado num corropio pelos países membros a preparar a dita adesão.
A minha avó é que não achava muita piada ao facto de ele andar metido nessas coisas da politica, até porque andava lá metido como "Bochechas" e ela não gostava nada do "Bochechas". Já o meu avô achava que sim porque a minha avó achava que não. Mas depois lá concordava com ela senão não havia poker para ninguém. O meu tio Joseph achava que "Ser um oporrtunidade fantástico parra Porrtugal" a minha tia não fazia a mais pequena ideia do que era a CEE e o meu primo Carlos não sabia, não queria saber e tinha raiva de quem soubesse. Eu sabia, que o António tinha-me explicado, um dia enquanto o ajudava a limpar os estábulos, depois de termos "rebolado" na palha ele contou-me tudo sobre o que era essa coisa do mercado único e da união dos países, e assim ao jantar surpreendi a minha avó que até "O menino vê-se que afinal não é tão tontinho como eu pensava. Veja bem Carlos, e siga o exemplo do seu primo, que a vida não é só motos, futebol e raparigas." Nessa noite ia rebentando, não pela quantidade de comida que a Cremilde me tinha posto no prato mas porque foi a primeira vez que a minha avó me elogiara até então.
No dia seguinte logo de manhãzinha, véspera de Natal, desejoso de dar nas vistas de novo, lá vou eu direito ao quarto de hospedes ter com o tio Augusto para falar mais um pouco da tal de CEE. Bati à porta e como não tive resposta entrei, ele estava no banho e enquanto esperava fui folheando umas revistas que ele tinha em cima da cama. uma delas chamou-me a atenção, e de tal maneira que não o ouvi nem ao entrar nem quando falou comigo e apanhei um susto de morte quando me tocou no ombro e disse "Estou a ver que gostas da Bent! Se quiseres podes ficar com ela que eu tenho mais uns números! Ou preferes ao vivo e a cores?". Fiquei branco de morte, não sabia para onde olhar, se para a revista onde dois rapazes se envolviam em algo parecido com luta greco romana sem roupa ou se para o roupão aberto do tio Augusto.
É claro que depois do embaraço inicial lá me resolvi pelo real que o papel nunca alimentou ninguém.
É claro que ouvimos um raspanete por chegar tarde ao pequeno almoço mas também não fazia mal que eu já tinha bebido leitinho.
O Jantar da consoada correu como seria de esperar, as couves, o bacalhau e seus acompanhantes, o galo, as castanhas, os bolos, os pudins, um dedal de vinho para os rapazes (eu e o meu primo Carlos) e comer e beber até mais não. Que se comemorava o aniversário do "Nosso Senhor Jesus Cristo".
A coisa entornou com o presépio, já que o Augusto achava que estava todo desproporcional. E vai dai começou no gozo que ele tal como eu também não achava grande piada aquilo, e que a Virgem e o Marido eram maiores que a igreja, e que os ovelhas maiores que o pastor, e que as figuras eram maiores que o casario.
Pronto. Por esta altura já o meu avô tinha saído, o meu tio, tia e primo encolhido a um canto, a Cremilde e a Isilda fugido para a cozinha, eu ria-me a bandeiras despregadas e a minha avó passava por todas as cores do arco-íris até explodir num esgar de "Vocês os dois são mesmo feitos do mesmo ramo. Vamos embora que está na hora da missa, e já que vos desagrada tanto o presépio escusam de vir, podem ficar ai que este ano nem morta deixo que recebam as graças do Menino Jesus" e dito isto sai porta fora com a comitiva em seu alcanço e lá ficamos nos os dois a rir a bandeiras despregadas.
É claro que a parvoíce em volta do presépio continuou, desde a abertura que a virgem devia ter para parir um menino daquele tamanho, até acabar na pilinha do Menino Jesus e por conseguinte noutras pilinhas.
Ficámos os dois à lareira do quarto de hospedes, enrolados numa manta a ouvir o Bobby Helms a cantar o Silent Night, aquela que a minha avó considerava a mais bela melodia do Natal. E foi assim que nesse ano não fui à missa. Infelizmente. Para o galo.
E como o prometido é devido, este post é dedicado a M.
Feliz Natal.
Eram dias de fartura esses, a Cremilde tinha sempre rabanadas, filhoses e coscorões, e de manhã podia-se beber café ao pequeno almoço. O galo engordava na capoeira sem saber o que o esperava e o meu avô engordava na sala sabendo exactamente o que o esperava.
Todos os anos o tio Augusto, irmão mais novo da minha avó, vinha passar o Natal, solteiríssimo e na flor da idade, como ele próprio costumava dizer.
Trazia sempre novidades, ora um brinquedo novo ainda por lançar em Portugal, ora uma guloseima que ainda ninguém tinha visto, era sempre algo que me maravilhava por ser único e por ser para mim. Nunca se esquecia, assim que pousava a mala no hall a primeira coisa que fazia depois de ir pedir a benção à mana era ir procurar-me com o embrulho na mão. Ficávamos então horas a fio com ele a contar-me por onde tinha andado nesse ultimo ano, que países visitara e as aventuras que tivera enquanto adido cultural de Portugal no estrangeiro. Preparava-se para Junho do próximo ano a adesão de Portugal à CEE, e ele tinha andado num corropio pelos países membros a preparar a dita adesão.
A minha avó é que não achava muita piada ao facto de ele andar metido nessas coisas da politica, até porque andava lá metido como "Bochechas" e ela não gostava nada do "Bochechas". Já o meu avô achava que sim porque a minha avó achava que não. Mas depois lá concordava com ela senão não havia poker para ninguém. O meu tio Joseph achava que "Ser um oporrtunidade fantástico parra Porrtugal" a minha tia não fazia a mais pequena ideia do que era a CEE e o meu primo Carlos não sabia, não queria saber e tinha raiva de quem soubesse. Eu sabia, que o António tinha-me explicado, um dia enquanto o ajudava a limpar os estábulos, depois de termos "rebolado" na palha ele contou-me tudo sobre o que era essa coisa do mercado único e da união dos países, e assim ao jantar surpreendi a minha avó que até "O menino vê-se que afinal não é tão tontinho como eu pensava. Veja bem Carlos, e siga o exemplo do seu primo, que a vida não é só motos, futebol e raparigas." Nessa noite ia rebentando, não pela quantidade de comida que a Cremilde me tinha posto no prato mas porque foi a primeira vez que a minha avó me elogiara até então.
No dia seguinte logo de manhãzinha, véspera de Natal, desejoso de dar nas vistas de novo, lá vou eu direito ao quarto de hospedes ter com o tio Augusto para falar mais um pouco da tal de CEE. Bati à porta e como não tive resposta entrei, ele estava no banho e enquanto esperava fui folheando umas revistas que ele tinha em cima da cama. uma delas chamou-me a atenção, e de tal maneira que não o ouvi nem ao entrar nem quando falou comigo e apanhei um susto de morte quando me tocou no ombro e disse "Estou a ver que gostas da Bent! Se quiseres podes ficar com ela que eu tenho mais uns números! Ou preferes ao vivo e a cores?". Fiquei branco de morte, não sabia para onde olhar, se para a revista onde dois rapazes se envolviam em algo parecido com luta greco romana sem roupa ou se para o roupão aberto do tio Augusto.
É claro que depois do embaraço inicial lá me resolvi pelo real que o papel nunca alimentou ninguém.
É claro que ouvimos um raspanete por chegar tarde ao pequeno almoço mas também não fazia mal que eu já tinha bebido leitinho.
O Jantar da consoada correu como seria de esperar, as couves, o bacalhau e seus acompanhantes, o galo, as castanhas, os bolos, os pudins, um dedal de vinho para os rapazes (eu e o meu primo Carlos) e comer e beber até mais não. Que se comemorava o aniversário do "Nosso Senhor Jesus Cristo".
A coisa entornou com o presépio, já que o Augusto achava que estava todo desproporcional. E vai dai começou no gozo que ele tal como eu também não achava grande piada aquilo, e que a Virgem e o Marido eram maiores que a igreja, e que os ovelhas maiores que o pastor, e que as figuras eram maiores que o casario.
Pronto. Por esta altura já o meu avô tinha saído, o meu tio, tia e primo encolhido a um canto, a Cremilde e a Isilda fugido para a cozinha, eu ria-me a bandeiras despregadas e a minha avó passava por todas as cores do arco-íris até explodir num esgar de "Vocês os dois são mesmo feitos do mesmo ramo. Vamos embora que está na hora da missa, e já que vos desagrada tanto o presépio escusam de vir, podem ficar ai que este ano nem morta deixo que recebam as graças do Menino Jesus" e dito isto sai porta fora com a comitiva em seu alcanço e lá ficamos nos os dois a rir a bandeiras despregadas.
É claro que a parvoíce em volta do presépio continuou, desde a abertura que a virgem devia ter para parir um menino daquele tamanho, até acabar na pilinha do Menino Jesus e por conseguinte noutras pilinhas.
Ficámos os dois à lareira do quarto de hospedes, enrolados numa manta a ouvir o Bobby Helms a cantar o Silent Night, aquela que a minha avó considerava a mais bela melodia do Natal. E foi assim que nesse ano não fui à missa. Infelizmente. Para o galo.
E como o prometido é devido, este post é dedicado a M.
Feliz Natal.
20 de novembro de 2008
Chora e não berra
No Inverno de 1984 o que estava a dar eram as matines. Dois gira discos, as colunas do rancho folclórico, umas luzes pindéricas e uma bola de espelhos, um rancho de putos no cio, junta-se tudo na garagem da Casa-do-povo com um quadro que ia abaixo de dez em dez minutos, e temos as matines. Na altura o grande sucesso era uma música de Jim Diamond, o "I Should Have Known Better" ou como a malta cantava enquanto dançava muito agarradinhos, ás vezes uns aos outros, "Aí chora e não berra".
Quer dizer, dançar dançar ninguém dançava, porque era raro irem miúdas às matines, que aquilo era um antro de perdição até a direcção da Casa-do-Povo a fechar e termos de nos mudar para a garagem do Pesca. Nunca percebi muito bem porque é que o Pesca se chamava Pesca, o Pedro dizia que era porque o tinha em forma de anzol mas eu nunca acreditei.
Na garagem do Pesca as tardes pareciam nunca mais acabar, tínhamos apenas cinco ou seis discos, entre eles o meu "O Disco Do Ano" que os meus pais me tinham dado pelos anos. Assim, à média luz e apenas com duas ou três miúdas para disputar o ambiente não era lá muito respirável e quando chegava a parte do slow era sempre a malta toda a encostar-se à parede a fumar um cigarro a meias ou então os mais destemidos dançavam sozinhos ou uns com os outros, só para treinar para quando viessem mais miúdas, o problema foi que elas nunca vieram.
Eu gostava de dançar, não tinha muito jeito mas com muita paciência e pés doridos o Chicha lá me foi ensinando como se dançava o slow. Ensaiávamos sempre em casa dele, no quarto e sempre ao som do "Chora e não berra". O Chicha tinha uma particularidade, rasgava sempre os bolsos das calças para poder chegar mais facilmente à chicha. Descobri isso da pior, ou da melhor, maneira. Um dia depois do ensaio resolvemos fumar um cigarro e vai dai meto-lhe a mão no bolso e qual o meu espanto que em vez dos cigarros apanho um charuto, foi uma risota pegada, eu com ele na mão dentro do bolso muito atrapalhado sem saber se largava ou não e o Chicha muito satisfeito a rir a bandeiras despregadas.
Um dia então resolvi fazer o mesmo, rasguei o bolso direito e lá fui para a a matine, o primeiro foi logo o Tchico, queria uns trocos para uma cola no bar do Ti Jorge e ao meter a mão como de costume a ver se eu tinha uma de 20 apanhou cá um susto que até se arrepiou, depois lá voltou a por a mão no bolso e continuou a procurar a procurar sempre com aquele ar de sacana que ele tinha.
O certo é que a moda pegou e não tardou muito andava toda a gente com os bolsos rasgados. As matines ganharam um novo alento, já que durante os slows andava toda a gente de bolso em bolso a ver se alguém tinha uns trocos ou cigarros. Segundo consta o bolso mais concorrido era o do Pesca que assim que alguém lá punha a mão não tirava mais, com ele logo a dizer "Aí chora e não berra". Consta, que eu nunca lá pus a mão. Infelizmente.
Quer dizer, dançar dançar ninguém dançava, porque era raro irem miúdas às matines, que aquilo era um antro de perdição até a direcção da Casa-do-Povo a fechar e termos de nos mudar para a garagem do Pesca. Nunca percebi muito bem porque é que o Pesca se chamava Pesca, o Pedro dizia que era porque o tinha em forma de anzol mas eu nunca acreditei.
Na garagem do Pesca as tardes pareciam nunca mais acabar, tínhamos apenas cinco ou seis discos, entre eles o meu "O Disco Do Ano" que os meus pais me tinham dado pelos anos. Assim, à média luz e apenas com duas ou três miúdas para disputar o ambiente não era lá muito respirável e quando chegava a parte do slow era sempre a malta toda a encostar-se à parede a fumar um cigarro a meias ou então os mais destemidos dançavam sozinhos ou uns com os outros, só para treinar para quando viessem mais miúdas, o problema foi que elas nunca vieram.
Eu gostava de dançar, não tinha muito jeito mas com muita paciência e pés doridos o Chicha lá me foi ensinando como se dançava o slow. Ensaiávamos sempre em casa dele, no quarto e sempre ao som do "Chora e não berra". O Chicha tinha uma particularidade, rasgava sempre os bolsos das calças para poder chegar mais facilmente à chicha. Descobri isso da pior, ou da melhor, maneira. Um dia depois do ensaio resolvemos fumar um cigarro e vai dai meto-lhe a mão no bolso e qual o meu espanto que em vez dos cigarros apanho um charuto, foi uma risota pegada, eu com ele na mão dentro do bolso muito atrapalhado sem saber se largava ou não e o Chicha muito satisfeito a rir a bandeiras despregadas.
Um dia então resolvi fazer o mesmo, rasguei o bolso direito e lá fui para a a matine, o primeiro foi logo o Tchico, queria uns trocos para uma cola no bar do Ti Jorge e ao meter a mão como de costume a ver se eu tinha uma de 20 apanhou cá um susto que até se arrepiou, depois lá voltou a por a mão no bolso e continuou a procurar a procurar sempre com aquele ar de sacana que ele tinha.
O certo é que a moda pegou e não tardou muito andava toda a gente com os bolsos rasgados. As matines ganharam um novo alento, já que durante os slows andava toda a gente de bolso em bolso a ver se alguém tinha uns trocos ou cigarros. Segundo consta o bolso mais concorrido era o do Pesca que assim que alguém lá punha a mão não tirava mais, com ele logo a dizer "Aí chora e não berra". Consta, que eu nunca lá pus a mão. Infelizmente.
9 de setembro de 2008
The Love Boat II
Como já referi anteriormente, viajava também connosco uma ajudante de piloto chamada Lúcia. Era aquilo a que se pode chamar uma “lasca”, tão boa, mas tão boa, mas tão podre de boa que só de olhar um gajo quase tinha um orgasmo. A Lúcia comeu por assim dizer praticamente toda a tripulação a bordo incluindo aqui o “Je”. Foi a minha primeira mulher, já tinha estado com raparigas da minha idade, mas esta era uma Mulher. A Lúcia foi na verdade e durante quatro dias, o tempo que levou a fartar-se de mim, uma verdadeira professora das artes do Amor, foi com ela que aprendi a “ir devagar” e a explorar o corpo feminino, aprendi que o mais importante é dar e não receber, foi com ela que experimentei pela primeira a arte de mamar uma cona e como é importante o movimento de língua certo no momento e no ponto exacto, aprendi que apesar de na altura ainda ter um pénis relativamente pequeno o tamanho não tem importa, o que importa é o que se faz com ele. Afinal eu tinha apenas quinze anos de idade e dezasseis centímetros de pau. E durante dois dias e duas noites fiz muita coisa, a maior parte pela primeira vez, foram as melhores fodas da minha adolescência e recordo-a até hoje. A Lúcia tinha uma cona como até hoje não conheci mais nenhuma, lábios rosados e sedosos e uma sensação de que ela estava afazer um broche com a cona, se não soubesse diria que tinha uma língua lá dentro, foi a unica cona que conheci que chupava o caralho a um gajo, e todos diziam o mesmo, que uma foda da Lúcia vale por mil a qualquer outra. Aquilo era uma coisa de outro mundo, metia-se só a cabecinha que ela chupava o resto pra dentro, depois com uma série de movimentos de pélvis sentia-se todo o pau a ser sugado e rolado e amassado como se uma língua quente e poderosa o lambesse da ponta da cabeça ao escroto. Foi a Lúcia que me mostrou com se faz um verdadeiro broche e que nenhuma parte da anatomia do homem deve ser descurada, que mordiscar, morder e arranhar também valem desde que com conta, peso e medida. E que um dedinho nu cú nunca matou ninguém, nem mesmo o mais macho dos machos alfa.
Outro dos sítios onde eu reinava era a casa das máquinas, uma espécie de porão no centro à Ré do navio abaixo da linha de água, o calor era abrasador, uma espécie de sauna onde o cheiro a suor, metal, óleo e testosterona se misturava numa espécie de perfume quente e inebriante e que pelo facto de quase toda a gente andar em tronco nu era um lugar magnífico para “lavar a vista”. Cerca de vinte homens por turno, todos na casa dos vinte, vinte e cinco anos, corpos tornados, oleados, suados e… quase todos "depilados". Com quinze anos e como era filho do capitão gozava de um certo grau de imunidade, desde que os disparates não pusessem em causa a integridade física de alguém ou em risca a carga ou o próprio navio, eu fazia o que bem me desse na bolha. Na casa das máquinas uma das minhas vítimas preferida era o Antunes.
O Antunes tinha vinte e dois anos e um corpo de ginasta russo, uns olhos rasgados de um avelã profundo enquadrados num rosto da planície alentejana e sempre com a braguilha descosida por excesso de bagagem. Pois eu adorava atazanar o Antunes, sempre que o apanhava debruçado em algo apalpava-lhe o rabo, se o pobre se esticava par alcançar algo, lá estava eu vindo por de trás a apertar-lhe os tomates, passava por ele e vai de dar um puchãozinho nos pelos do peito ou dos da barriga, fazia-lhe festas na cara e dizia-lhe “Só não te beijo já aqui à frente de toda a gente porque tens a barba mal feita e não me quero arranhar.” Apalpava-o, amassava-o, eriçava-o, deixava-o em ponto de rebuçado, ao ponto de o pobre chegar a rebentar o fecho das calças. Finalmente um dia lá me compadeci dele, uma noite em que estava de folga, combinei com o Ricardo, colega de cabine dele que à troca de um dos meus serviços de mão, ele dormiria fora essa noite, assim enfiei-me na cabine deles e deitei-me na cama do Ricardo, quando o Antunes chegou despiu-se, enfiou-se na cama e apagou a luz, então eu tiro a roupa, desço do beliche abro-lhe a cortina da cama e digo “Espero que tenhas feito a barba”. Vinte e um centímetros de homem sorriam para mim. No fim parecia um menino. Chorou, foi o meu primeiro virgem.
No dia a seguir, levei-o à Lúcia e ela quando lhe expliquei a situação lá se dispôs a “desonrar” o rapaz. Foi então que joguei a minha cartada. Com aquelas medidas de entrepernas ou ela me deixava se não participar, pelo menos assistir, ou então eu saia com ele no próximo porto e dava a honra a outra. Foi um bom trunfo, ela acedeu e foi maravilhoso, numa única vez tive ao mesmo tempo o melhor de dois mundos. O Ricardo é que coitado ficou toda a noite em claro à minha espera para o tal servicinho. Infelizmente, para ele.
Outro dos sítios onde eu reinava era a casa das máquinas, uma espécie de porão no centro à Ré do navio abaixo da linha de água, o calor era abrasador, uma espécie de sauna onde o cheiro a suor, metal, óleo e testosterona se misturava numa espécie de perfume quente e inebriante e que pelo facto de quase toda a gente andar em tronco nu era um lugar magnífico para “lavar a vista”. Cerca de vinte homens por turno, todos na casa dos vinte, vinte e cinco anos, corpos tornados, oleados, suados e… quase todos "depilados". Com quinze anos e como era filho do capitão gozava de um certo grau de imunidade, desde que os disparates não pusessem em causa a integridade física de alguém ou em risca a carga ou o próprio navio, eu fazia o que bem me desse na bolha. Na casa das máquinas uma das minhas vítimas preferida era o Antunes.
O Antunes tinha vinte e dois anos e um corpo de ginasta russo, uns olhos rasgados de um avelã profundo enquadrados num rosto da planície alentejana e sempre com a braguilha descosida por excesso de bagagem. Pois eu adorava atazanar o Antunes, sempre que o apanhava debruçado em algo apalpava-lhe o rabo, se o pobre se esticava par alcançar algo, lá estava eu vindo por de trás a apertar-lhe os tomates, passava por ele e vai de dar um puchãozinho nos pelos do peito ou dos da barriga, fazia-lhe festas na cara e dizia-lhe “Só não te beijo já aqui à frente de toda a gente porque tens a barba mal feita e não me quero arranhar.” Apalpava-o, amassava-o, eriçava-o, deixava-o em ponto de rebuçado, ao ponto de o pobre chegar a rebentar o fecho das calças. Finalmente um dia lá me compadeci dele, uma noite em que estava de folga, combinei com o Ricardo, colega de cabine dele que à troca de um dos meus serviços de mão, ele dormiria fora essa noite, assim enfiei-me na cabine deles e deitei-me na cama do Ricardo, quando o Antunes chegou despiu-se, enfiou-se na cama e apagou a luz, então eu tiro a roupa, desço do beliche abro-lhe a cortina da cama e digo “Espero que tenhas feito a barba”. Vinte e um centímetros de homem sorriam para mim. No fim parecia um menino. Chorou, foi o meu primeiro virgem.
No dia a seguir, levei-o à Lúcia e ela quando lhe expliquei a situação lá se dispôs a “desonrar” o rapaz. Foi então que joguei a minha cartada. Com aquelas medidas de entrepernas ou ela me deixava se não participar, pelo menos assistir, ou então eu saia com ele no próximo porto e dava a honra a outra. Foi um bom trunfo, ela acedeu e foi maravilhoso, numa única vez tive ao mesmo tempo o melhor de dois mundos. O Ricardo é que coitado ficou toda a noite em claro à minha espera para o tal servicinho. Infelizmente, para ele.
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